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Leiria Queirosiana

Ruas de Leiria onde Eça escreveu "O Crime do Padre Amaro"Em 30 de Junho de 1870, no Governo Civil de Leiria, prestou juramento e tomou posse do lugar de Administrador do Concelho José Maria Eça de Queiroz. Durante cerca de um ano o escritor ia viver, escrever e amar em Leiria, iniciando-se o que descreveu como seu "exílio administrativo", entre "gente do tempo dos afonsinos", como afirmou em momento de mau humor. Nesta cidade escreveu parte substancial de "O Crime do Padre Amaro". Na viagem citadina que propomos, pretendemos acompanhar alguns dos passos de Eça e de Amaro, a sua sombra, no seu viver quotidiano. Pretexto, ao fim e ao cabo, para percorrer as ruas antigas da cidade e descobrir recantos, por vezes, inesperados. 


Igreja RomânicaEste é o local que escolhemos para iniciar o nosso roteiro. Esta pequena igreja românica, Monumento Nacional desde 1911, era Teatro no período de passagem de Eça pela cidade, tendo sido, transitoriamente, Sé, depois da criação da diocese em 1545. Mais tarde chegou a ser celeiro. Foi local de encontro entre o escritor e uma fidalga com quem esteve envolvido.



Torre Sineira

Torre sineiraDescendo a rampa que conduz à Sé, encontramos esta Torre. Foi construída sobre uma antiga torre de defesa da cerca da vila e apresenta na parte superior as armas de D. Miguel de Bulhões, o bispo que a mandou construir. O arco que lhe está anexo (a "Porta do Sol") dá acesso à antiga vila. A casa que lhe fica por cima corresponde à descrita em "O Crime" , situando-a o autor noutro local, junto da Sé.





SéSe ao visitante custar a subida até S. Pedro, comece a visita por esta "Igreja-salão" da segunda metade do século XVI, irmã das sés de Miranda do Douro e de Portalegre. Edifício pesado revelando a robustez própria das construções militares de que era especialista o seu arquitecto, Afonso Álvares. No romance, Amaro era o seu pároco e "...lamentava então que a Sé fosse uma ampla estrutura de pedra de um estilo frio e jesuítico".


Administração do Concelho


Edifício dos serviços de EçaNo último andar de um edifício onde funciona uma tipografia existiam os serviços dirigidos por Eça. Situa-se no largo da Sé.

 
  
 
 



Farmácia Paiva 

Antiga farmáciaAinda no Largo da Sé encontramos esta antiga farmácia que foi propriedade do pai do poeta Acácio de Paiva. Apresenta uma bela fachada de azulejos da Fábrica Viúva Lamego. Serviu de modelo à "Botica do Carlos".

 
  
 


Rua Direita 


Rua DireitaEsta rua liga a Sé ao Terreiro. Actualmente chama-se Rua Barão de Viamonte e é o eixo vital da zona antiga de Leiria. Os trajectos de Amaro para a Sé e de Eça para a Administração faziam-se por aí. Seguindo por ela chega-se ao ponto seguinte.

   



Casa da Tipografia


Rua DireitaCasa na antiga judiaria de Leiria onde viveu o escritor, assinalada por uma placa dos Rotários. O escritor descreve-a como a casa da S. Joaneira, "transportando-a para o nº 9 da paralela Rua da Misericórdia. Nas "Farpas" descreve-a numa rua estreita "como uma fenda e triste como o destino de um monge". Amaro, por sua vez, perguntava "Onde é a porta do Paraíso?" a "anjos de cabeleiras de ouro que passavam, num doce rumor de asas, levando almas nos braços. E todos lhe respondiam: "Na Rua da Misericórdia, na Rua da Misericórdia número nove!" Amaro sentia-se perdido."


Terreiro


Largo Cândido dos ReisAo fundo da Rua Direita está o actual Largo Cândido dos Reis, hoje a zona de maior animação nocturna, era a parte nobre da cidade oitocentista. Aí se situavam os solares e palacetes da nobreza liberal leiriense: família Alçada, barão de Viamonte, família Ataíde, família Charters e barão de Salgueiro, entre outros.


Solar do Barão de Salgueiro


Solar do Barão de SalgueiroEsta casa era frequentada por Eça no seu ano leiriense sendo propriedade do barão, então Presidente da Câmara. Nesta casa participou Eça, no Carnaval de 1871, num baile de máscaras. O fato era sugestivo. Ia de Cupido, com um fato de malha muito justo e com aljavas cheias de setas. A apaixonada aristocrata, em cuja perna o Administrador fora visto a tocar piano durante uma representação em S. Pedro, trouxe-o para a sua roda na altura das quadrilhas e entraram, subtilmente, numa sala deserta. Simplesmente o barão, desconfiado, acabou com o edílio e expulsou Eça que foi arrastado por dois criados até ao cimo das escadas de onde o precipitaram para a porta da rua. Ao chegar a casa, comentou para o seu confidente Júlio Teles "Consummatum est – olha sou um cupido desasado". 


 Praça Rodrigues Lobo


Praça Rodrigues LoboSeguindo na direcção da Praça Rodrigues Lobo, o viajante pode observar a terrível destruição do solar que foi da família Guerra, assim como o belíssimo castanheiro da Índia que lhe está anexo. Nas décadas de 60 e 70 do século passado era simplesmente a "Praça". Aí se situava a Câmara, a Cadeia e o Pelourinho. Centro Comercial, aí funcionavam, tal como hoje, numerosas lojas. As arcadas existentes eram um dos espaços preferidos para a cavaqueira e para a má língua. Aqui desembocavam, muitas vezes, os caminhos de Amaro, do próprio Eça e de muitos outros. "Daí a dias, os frequentadores da botica, na Praça, viram com espanto o Padre Natário e o dr. Godinho conversando em harmonia..." 


 Assembleia

Outrora Assembleia LeirienseNa Praça, onde agora é o Ateneu, funcionou a Assembleia Leiriense de que Eça foi sócio e onde vinha fazer a leitura dos jornais. No romance é um local de encontro dos notáveis da terra.

   
 



Rossio


Rossio de D. LuísSaindo da Praça a caminho do rio, encontra-se o antigo Rossio de D. Luís, um vasto espaço hoje ocupado pela Fonte Luminosa e pelo Jardim Luís de Camões. Era um dos locais por onde passeavam Amaro e o Cónego Dias.

 


Marachão 

Subindo do Rossio para o rio encontrava-se o Marachão. "É um lugar recolhido, coberto de árvores antigas. Chamam-lhe a Alameda Velha". Neste lugar aprazível, olhando o rio que se arrasta entre margens que o comprimem, o viajante pode terminar a sua viagem, não sem que, pela última vez, olhe o castelo lá no alto e lembre as palavras de Teresa quando intercede para encontrar paróquia para o seu protegido Amaro: "Leiria? (...) Bem sei, é onde há umas ruínas?"

Copyright: Orlando Cardoso
Fotografia: António Sequeira
Edição: RTL/F
 


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